segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como da janela
Observo e observo
Paisagens semelhantes
Tudo tão semelhante
Eu sempre aqui
A observar
Aos poucos desaparecendo
Como tantos
Que desaparecem na vida
Pois já não servem à ela
As peças já não se encaixam
E nem os pombos desejam mais voar

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

All in

Nesse calor
dessa noite
como outras
resume-se

encurta-se
encurta-me-ia eu
assim
sem fim?

Dessa distância
de mim
de você
suas fantasias

nesses enganos
que me apresenta
imaginando
sonhando

ingenuidade plena
cabe a mim
saber o que sou
o que fui

mas tornei-me assim
como fosse
eu
que me dizia

num momento
naquele parque
perdido
passado

assim aloucado
como sou e fui
abril passou
resta o que ficou

como azul
faz parte
da noite escura
vida dura

apaixonado, na sua
mergulho aos poucos
como loucos
que pulam sem medo

arremedo, sem jeito
imperfeito
como a perfeição
que é a coisa

a vida é assim
coisas que não se sabe
beijos de paixão
nada importa, all in

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Delicado

Uma distância da falta
Não da Geografia
Um enlaço de espaços
Onde espaços não havia
Inesperado ritmo
Numa noite tão específica
Sem planos, encanto puro
Profunda fantasia de sorrisos
Sonho transformado em poesia

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Passou

As ruas que ando
Que sempre andei
As mesmas ruas
Já não são as mesmas


Morei sempre aqui
As casas com quem convivi
Estavam por aí
Hoje alguns destroços e ruínas


As mesmas ruas
Já não fazem sentido
O mesmo sentido
que sinto


Os caminhos e matos
Já não são matos
Lojas, prédios e carros
Ocupam tudo


Por onde vivi
Não vivo mais
Vivo de palavras e sentidos
Não os mesmos


Parti
Como as casas e ruas
Se foram
Eu sendo eu, já não sou


Se um dia fui
Quem sou
Se foi
Passou

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Conveniência

Atrás de uma nova mentira
Uma ilusão conveniente
Mudam-se as roupas, as cores
Mas nada muda
Nem suas lágrimasQue continuam escondidas
Teu grito calado continua mudo

Muda-se a peça, e os atores
A nova ilusão dos aplausos
Que com o tempo se vão
Eu e o meu amor tão vãos
Mudam-se as luzes, a música
E você molda-se a elas
Como se fossem suas
Mas sua, permanece só a sombra
Que você oculta

Passa-se o tempo e muda a temperatura
E nesse tempo você perde altura
Na fuga de tua alma, de teus traumas
Que com você seguem
Acabam-se os aplausos
E você está novamente nua
Às luzes das mesmas ruas
Que você tanto tentou evitar

Insistente tua alma te persegue
(Pois é tua)
Com fantasmas que desconhece
Mas que a assombram mesmo assim
E eu deste morro observo tua corrida
Teu vai e vem
Nas minhas lágrimas que são tuas
E que não consigo evitar
Como não se evita a alma
Que continua baixinho a chorar

bardo - alguns anos atrás

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sozinho na chuva

Quando esmolas já não bastam
Nestas lágrimas que aqui estão
Sem se despir em meu rosto
Sem mostrar onde me acolher
Nenhum beijo ou abraço a me esperar
Nenhuma pele que me faça arder
Nenhum sonho que me faça sonhar
Então não cessa a vontade
Nem a solidão que me acompanha
Deixando-me só
Apenas só, nesta chuva

bardo – entardecer 19/10/2009

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aquele último

Eu estive me lembrando, ontem
do último momento
que estive com você
do último olhar...
aquele, precipitado de lágrimas!


E do último pensamento
Ah! O último pensamento antes
De você bater a porta atrás de si
E a semi escuridão imperar
Era...
           “fique...”
A voz do meu eu
Nunca estivera tão rouca
E a sua face
Tão pálida
e sua figura...tão esquálida!


É, eu estive me lembrando
da luz daquele lugar
tão morna nas suas nuances
quase poderia ver
brilhar o sol em você

estive sim, ontem, me lembrando
do frio e
do calor que a sua semi-ausência
me causara, me causaria
ainda me causa



Tudo que eu queria
Era você ali... um momento antes
Do último
E viver nele
Para sempre


Entre a manhã que se anuncia
E a noite que ainda insiste em me fazer chorar
Pelo meu bem
Que se vai
E que não tem


Yssoê