Mostrando postagens com marcador bardo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bardo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Manhã cinza

Nesta manhã cinza de chuva fria
Alguma coisa se ascende
Nada além desta cinza quente
Alguns troncos retorcidos
O chão molhado pelo orvalho
Nada além de um cigarro
Noites mal dormidas, mal resolvidas
Mundo que me espera
E eu a espera do mundo
Nesta manhã fria, de chuva fria
Nesta umidade sombria de algum brilho
Algo em mim se ascende
Algo me paralisa e me movimenta
Nesta manhã, mais uma manhã
Algo me chama às chamas
Apagadas por este vento

bardo, 06 de Agosto de 2008, acordando

domingo, 9 de maio de 2010

Conveniência

Atrás de uma nova mentira
Uma ilusão conveniente
Mudam-se as roupas, as cores
Mas nada muda
Nem suas lágrimas
Que continuam escondidas
Teu grito calado continua mudo


Muda-se a peça, e os atores
A nova ilusão dos aplausos
Que com o tempo se vão
Eu e o meu amor tão vãos
Mudam-se as luzes, a música
E você molda-se a elas
Como se fossem suas
Mas sua, permanece só a sombra
Que você oculta


Passa-se o tempo e muda a temperatura
E nesse tempo você perde altura
Na fuga de tua alma, de teus traumas
Que com você seguem
Acabam-se os aplausos
E você está novamente nua
Às luzes das mesmas ruas
Que você tanto tentou evitar


Insistente tua alma te persegue
(Pois é tua)
Com fantasmas que desconhece
Mas que a assombram mesmo assim
E eu deste morro observo tua corrida
Teu vai e vem
Nas minhas lágrimas que são tuas
E que não consigo evitar
Como não se evita a alma
Que continua baixinho a chorar

bardo

terça-feira, 4 de maio de 2010

Não sou aquele que tudo suporta
Pareço ser, imaginam-me
Sou aquele que mal suporta
E resiste até o final

bardo, 05/12/2008

Esquecimento

Foi tão fácil me esquecer
Eu que nada esqueço
O vento não me leva
Tua pele, se foi
A dor, ficou


Foi tão fácil esquecer que me amou
Palavras que acreditei
Palavras que o vento me soprou
Que teus lábios sussurraram
E nelas sonhei


Foi tão fácil me deixar
Aqui, sozinho
Sem palavras, ao vento
Sem te deixar e nem partir
Não é nada fácil deixar de sentir

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mais uma vez

Você se vai mais uma vez

Por tempo demais, como sempre

Vai porque fiz você ir

Vai porque sou fraco

Escravo do que sou

Olho sua nave partindo

Com meu sorriso e alegria

Com meu destino

Esperando que um dia volte

Aos meus braços

Aos meus beijos apaixonados

Beijos que não recebo mais






Você se vai mais uma vez

Outra, em que adormeço

Eu não iria tão longe

Tenho medo de me perder

Medo de te perder de vista

Lá ao longe, no horizonte

Desaparece o navio

afundando no mar

Levando você de mim

Por tempo demais

Mais do que posso aguentar

Esperando para te amar

bardo, enquanto ela parte

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fragilidade

Uma fragilidade explícita
Nos olhos daquela mulher
Meus olhos lembrando os dela
As lágrimas não puderam conter
O movimento exitante, trêmulo
De seus lábios, suas mãos
Uma história triste no coração
Sua voz que mal acreditava em si
Na minha velocidade mal ouvi
Uma sombra, onde tantos passavam
Um recolhimento em um mundo
Inacessível a quase todos
De pouco interesse, que passavam
Restou-me a pergunta
De aparência absurda
Toda saúde, exercícios, afins
Alimentação saudável ou não
Parafernálias tecnológicas perfeitas
Toda beleza de flores, pássaros
Colisões colossais de estrelas
Toda certeza da liberdade
Dos carros, bicicletas
Estradas sem fim
Modernidade ultrapassada pela velocidade
Esse Universo todo, dos átomos
Aos sorrisos e lágrimas
A existência de ser e ter
Com a soma de tudo
Em mim, em você, em todos
Valem a pena
Tendo conhecido lá,
a tristeza no olhar daquela mulher

bardo - 21 de Outubro de 2009.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Algo a dizer

Olho teu rosto
Tão doce, tão puro
Espelho dum passado
Alma minha que se foi
Passo a mão em teus cabelos
Sinto teu carinho
Teu coração
Olho pela janela
Para esse mundo
Para um céu cheio de nuvens
Que cobrem o infinito profundo
Infinito como tua sabedoria
Que nasceu quando nasceu
Percebo o brilho e a escuridão
Sinto um frio inexplicável
Uma mistura de incertezas e medo
De um jogo que não se pode perder
Melancolia de uma vida
Levada pelo vento
Sem direção
É triste perceber que se é triste
Saber que precisa gritar
Que há algo a se dizer
Mas nada é dito
Porque não é hora
E ela não irá chegar

bardo - madrugada de 12 de Abril de 2010